Conselho dos Direitos da Mulher lamenta mudanças conservadoras em lei
O Conselho
Nacional dos Direitos da Mulher publicou na sexta-feira (19) uma nota
sobre a recente alteração na política nacional de direitos humanos
feita pela bancada conservadora no Congresso Nacional.
Logotipo do Conselho Nacional de Direitos das Mulheres
Leia abaixo a íntegra da nota do CNDM
Nenhum passo atrás!
Foi com perplexidade que recebemos a notícia da aprovação, pelo Plenário
da Câmara Federal, no dia 18 de fevereiro de 2016, de dois destaques ao
texto-base da Medida Provisória 696/15. O primeiro retira a expressão
“perspectiva de gênero” como uma das atribuições do recém-criado
Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e o
segundo, propõe que a política nacional de direitos humanos seja feita
em conformidade com o Pacto de São José da Costa Rica, numa contundente
afronta as mulheres brasileiras e na contramão de todos os compromissos
internacionais como, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento do
Sustentável (ODS) estabelecidos recentemente pela Organização das Nações
Unidas (ONU), com o apoio do governo do Brasil.
O conceito de gênero é um instrumento teórico fundamental para
compreender a forma em que a sociedade traduz as diferenças biológicas
de sexo em papéis sociais e expectativas de comportamento. Só com a
incorporação desse conceito é possível interpretar as grandes
modificações ocorridas no papel social e no comportamento de mulheres e
homens ao longo da história.
Vale ressaltar, mais uma vez, que a perspectiva de gênero, integra
diferentes acordos internacionais e regionais no campo dos direitos das
mulheres, a exemplo da Declaração e Plataforma de Ação da IV Conferência
Mundial sobre a Mulher (Beijing, 1995), fazendo parte, portanto, dos
compromissos assumidos internacionalmente pelo Estado brasileiro.
A incorporação da perspectiva de gênero nas políticas públicas é também
um compromisso nacional: está prevista nos Princípios e Diretrizes da
Política Nacional para as Mulheres que orienta o Plano Nacional de
Políticas para as Mulheres, aprovadas e reafirmadas nas três
Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres, realizadas no
Brasil e que contou com mais de 600.000 mil mulheres participando desses
processos.
O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) é um marco no
processo de consolidação e amadurecimento das políticas para as mulheres
no Brasil. Fruto de diálogo permanente entre governo e sociedade civil.
Esse instrumento reforça o princípio de que em um Estado plenamente
democrático a condição da participação social, sobretudo das mulheres, é
constitutiva de todas as fases do ciclo das políticas públicas.
As práticas patriarcais seculares enraizadas nas relações sociais e nas
diversas institucionalidades do Estado devem ser combatidas no cotidiano
de maneira permanente. A busca pela igualdade e o enfrentamento das
desigualdades de gênero fazem parte da história social brasileira.
Até quando avanços na legislação e na efetivação das políticas de
proteção aos direitos humanos, promoção da igualdade de gênero e racial,
superação da violência, promoção da saúde integral e exercício dos
direitos reprodutivos e sexuais das mulheres serão bloqueadas e
vilipendiadas pelos conservadores e fundamentalistas religiosos? Aceitar
esses destaques é reforçar a ideologia patriarcal, racista e
transfóbica e negar a luta histórica das mulheres por autonomia e
liberdade.
O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), presente há 30 anos
nesse processo de luta, torna sua as palavras proferidas pela Presidenta
Dilma Rousseff na abertura da 3ª Conferência Nacional de Políticas para
as Mulheres: “Eu tenho o compromisso inabalável – e reafirmo aqui – de
aprofundar as políticas de igualdade de gênero no nosso país”.
Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM)
http://www.vermelho.org.br/noticia/276557-1
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