quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Qual a origem da expressão ‘dona’ e as questões que ela desperta
Tatiana Dias.
Marisa, Ruth, Marta, Dilma, Marcela. Só parte desses nomes vem acompanhada do pronome de tratamento. Entenda as várias conotações de seu uso.
MARISA LETÍCIA, ESPOSA DO EX-PRESIDENTE LULA, CONHECIDA COMO ‘DONA MARISA
FOTO: MÍDIA NINJA/FLICKR/CREATIVE COMMONS
A internação da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva no dia 24 de janeiro após um AVC e sua morte dez dias depois trouxeram à tona o debate sobre o uso da expressão “dona” para as mulheres, em especial aquelas com destaque no cenário nacional. Não é sempre que o pronome de tratamento é utilizado. O uso varia conforme a pessoa, o interlocutor e tem significados diferentes — às vezes opostos — de acordo com o contexto e a quem ele se refere.
Para algumas pessoas, ele é um reflexo do machismo estrutural, já que apaga a individualidade da mulher e o seu trabalho. Ela é apenas “dona”. Para outras pessoas, é apenas um sinal de respeito em relação a mulheres mais velhas. Por conta dessa dualidade, o uso levanta críticas.
O que a palavra significa
“Dona” tem origem no latim. Segundo o dicionário Houaiss, a palavra começou a ser utilizada nas famílias reais de Portugal e do Brasil como tratamento de mulheres que tinham algum título de superioridade — seja pelo casamento, religião ou idade. Originalmente, “dona” era um substantivo usado como sinônimo de “mulher”. Aos poucos, o uso comum o transformou em um pronome — mesmo processo que ocorreu com “senhor” e “senhora”, por exemplo.
Pronomes de tratamento são utilizados quando não se pode, por respeito ou hierarquia, falar diretamente com a pessoa. Por sua origem, o pronome “dona” é uma forma de se referir a mulheres casadas ou de mais idade. É um pronome quase sempre empregado na terceira pessoa — quando a fala é direcionada à mulher, normalmente utiliza-se o “senhora”. O rapper Mano Brown, por exemplo, sempre se referiu à sua mãe, em suas letras, como “dona Ana”.
Quando ‘dona’ é usado
Marisa Letícia ficou conhecida popularmente como “dona”, assim como aconteceu com Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique que morreu em 2008. A atual primeira-dama do país, Marcela Temer, não: aos 33 anos, ela é chamada apenas pelo nome.
A diferenciação, nesse caso, pode ser explicada pela idade. Para Maria Helena de Moura Neves, doutora em linguística e professora da Universidade Mackenzie, o uso da palavra em relação a Marisa faz referência à idade e, também, à função.
“São dois fatores: ela era do tempo do ‘dona’ que está aposto a seu nome. E, de certo modo, não deixa de ser uma maneira de dizer que ela é ‘do lar’ ’’, diz Neves. “Marcela, por sua vez, carrega o ‘Temer’ porque toda ‘posição’ que ela possa ter (pelo menos por enquanto) vem do sobrenome.”
Uma expressão, diferentes significados
O pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Guilherme de Camargo Scalzilli investigou as diferentes maneiras como a expressão “dona” é utilizada. Para isso, ele se concentrou em duas mulheres que tiveram relevância e papéis distintos na política nacional: Ruth Cardoso e a ex-presidente Dilma Rousseff.
A ex-primeira dama, que morreu em 2008 aos 78 anos, foi conhecida como “dona Ruth”. Mas ela poderia ser chamada de professora, ou mesmo de doutora, porque de fato era doutora em antropologia. Para Scalzilli, condicionou-se a utilizar o pronome “dona” por conta da “memória de certa vassalagem sócio-econômica de longa tradição no imaginário brasileiro”. Para o pesquisador, no caso de Ruth, o pronome “tem o efeito de uma carga respeitosa”.
Isso não acontece, no entanto, no tratamento de Dilma Rousseff.
A ex-presidente é tratada, comumente, apenas por “Dilma” ou “presidente Dilma” e suas variações. Seu nome é vinculado ao pronome “dona”, de maneira geral, apenas em situações depreciativas.
Quando Dilma é apresentada como “dona Dilma”, há referência indireta a uma série de estereótipos: autoritarismo, humilhação de subalternos, mulheres em situação de comando. “Existe um sentido que ‘dona’ confere aos enunciados sem fazê-lo de maneira taxativa”, escreveu Scalzili.
“Algo semelhante é obtido pelo pronome ‘dona’, que alude à mencionada representação machista da ‘dona Maria’, comum em frases como ‘Volta para o tanque, dona Maria!’”, escreveu o pesquisador.
Apesar dos significados distintos, para ele, os dois usos da expressão têm a mesma raiz machista. Trata-se de um “esforço para apagar suas particularidades individuais numa designação redundante de gênero que admite estigmas sexistas, quando não os corrobora”.
Para Marta, ‘dona’ é machismo
A mesma avaliação foi feita pela senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). Em 2004, enquanto disputava a eleição para a prefeitura de São Paulo, Marta (então candidata pelo PT) foi chamada de “dona” pelos adversários José Serra (PSDB) e Paulo Maluf (PP).
Na época, ela classificou o tratamento como “machista”: “já começaram de novo a me chamar de dona Marta, que é quando eles querem usar uma forma pejorativa contra a mulher e desqualificar a mulher", declarou na época a hoje senadora.
Na eleição de 2008, Gilberto Kassab, então candidato a prefeito pelo DEM, também recorreu à mesma forma de tratamento em relação à Marta: chamou-a de “dona” seis vezes. “É um sinal de respeito, ela é mais velha do que eu”, ele declarou na época.
“Você vê que é o mesmo termo, que a princípio é respeitoso”, diz o pesquisador em linguística Henrique Braga, doutorando em letras na USP. “Eu digo ‘dona Ana’ porque não posso ser íntimo, mas digo ‘dona Marta’ porque quero dizer que você não é desse espaço.” Para ele, há duas leituras possíveis sobre o significado: o próprio machismo da escolha do termo, ou um “termo respeitoso que revela uma estrutura machista”.
“O uso desse tipo de tratamento tem um toque senzalesco, como se a sinhá do presidente fosse dona dos súditos”, escreveu o jornalista Elio Gaspari. Ele lembra, também, que o termo nunca foi utilizado em referência a Michelle Obama, por exemplo, tratada sempre pelo próprio nome.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Maternidades do estado serão contempladas com novos equipamentos
Foto: Gleilson Miranda/Secom
A boa notícia foi dada pelo secretário de Estado de Saúde, Gemil de Abreu Júnior, ao governador em exercício Ney Amorim nesta terça-feira, 7.
Os novos equipamentos foram financiados pelo Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável do Acre (Proacre).
O investimento, de R$ 1,5 milhão, visa fortalecer as ações de estruturação da Rede Obstétrica e Neonatal, por meio da estruturação das maternidades de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Feijó e Brasileia.
Segundo o secretário de Saúde, a ação deve ocorrer até o fim de fevereiro. “São mais de quatrocentos equipamentos, que vão reforçar o atendimento às mulheres que utilizam a rede pública de saúde”, frisou Gemil.
“Os investimentos na área da saúde são sempre prioritários, pois quando fortalecemos nossa rede pública, estamos salvando vidas. Os equipamentos vão melhorar ainda mais o atendimento nessas maternidades. Apesar de estarmos vivenciando uma crise econômica, o governo do Estado continua investido na qualidade de vida dos acreanos”, observou Ney Amorim.
Proacre
O Proacre, financiado pelo Banco Mundial, vem sendo executado pelo governo do Estado desde 2009 e alcançou resultados positivos nas áreas de educação, saúde e produção.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
As mulheres negras da Nasa que mudaram o rumo da corrida espacial
'Estrelas Além do Tempo' estreia na quinta-feira (02) e revela a história das mulheres que enfrentaram o apartheid para mudar a história mundial.
Em fevereiro de 1962, o astronauta John Glenn (que morreu no em dezembro do ano passado) marcou seu nome na história da exploração espacial ao tornar-se o primeiro americano a orbitar a Terra. O que nunca havia sido revelado, porém, é que por trás do feito estavam mulheres apelidadas de “computadores humanos”.
Além do estigma de gênero, as responsáveis pela organização da operação encararam outro preconceito: eram negras em época de segregação racial acirrada nos Estados Unidos. No dia 2 de fevereiro, Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, funcionárias exemplares da agência espacial americana, têm suas trajetórias contadas em Estrelas Além do Tempo, filme de Theodore Melfi.
Para interpretá-las, foi recrutado um elenco de peso, que inclui Octavia Spencer, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por Histórias Cruzadas (2012); Taraji P. Henson, da série Empire, e a cantora Janelle Monáe.
Spencer vive Dorothy Vaughan, primeira supervisora negra da Nasa, que aprendeu sozinha a mexer no imenso computador da agência, e concorre ao Oscar 2017 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.
Henson é a tímida Katherine Johnson, gênio
da matemática que obteve o diploma universitário aos 18 anos e foi
chamada pessoalmente por Glenn para checar se a nave estava em ordem –
ela encontrou problemas que puderam ser corrigidos antes da decolagem.
Por fim, Monáe faz Mary Jackson, a primeira engenheira negra da Nasa, formada em uma escola para brancos com a autorização de um juiz.
Na época, as três andavam 40 minutos para chegar ao banheiro destinado a elas na empresa. “O inspirador é ver que essas mulheres enfrentaram obstáculos porque queriam mudar a história do mundo e conseguiram”, afirma Monáe.
Estrelas Além do Tempo também concorre ao Oscar 2017 nas categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado
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