quinta-feira, 6 de julho de 2017

São 6,4 homicídios a cada 100 mil mulheres na capital acreana. Rio Branco é a décima capital brasileira mais violenta no mesmo ranking.


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Joelda Pais explica sobre os tipos de violência
 contra a mulher. (Foto: Yuri Marciel/ G1)

O Acre é o 14° estado mais violento em relação ao número de homicídios femininos. Nas capitais brasileira, Rio Branco é a 10° capital mais violenta do país para as mulheres, com 6,4 homicídios a cada 100 mil mulheres. Os dados são do Mapa da Violência sobre o Homicídio de Mulheres no Brasil realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), publicado em 2012.
Segundo a diretora de Direitos Humanos da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Acre (SEPMulheres), Joelda Pais,  de 2010 a 2012 foram registrados 54 homicídios de mulheres, sendo 20 homicídios em 2012, 12 homicídios em 2011 e 16 no ano de 2012. Nesses últimos três anos também foram registrados 6.122 boletins de ocorrência de casos de violência contra mulheres.
Em Rio Branco, a Casa Rosa Mulher é uma das principais instituições de apoio à mulher. Segundo a coordenadora da instituição, Vanessa Motta uma média de 2 mil mulheres foram atendidas no local em 2012.
Na segunda maior cidade do Acre, Cruzeiro do Sul, o número de denúncias de violência contra a mulher aumenta a cada ano. A delegada Carla Ívane de Brito, da Delegacia de Proteção à Mulher de Cruzeiro do Sul, explica que em 2012 foram instaurados 311 inquéritos, um acréscimo de 110% em relação ao ano anterior. Só nos dois primeiros meses de 2013 a polícia já abriu 45 procedimentos de investigação.
Rosalina de Oliveira Souza, coordenadora do Centro de Referência de Cruzeiro do Sul avalia que os trabalhos de prevenção realizados com grupos de mulheres pela cidade têm despertado as vítimas. “Nós sabemos também que com a vinda de uma delegada, as mulheres ficam mais a vontade para relatar o que estão passando. Nada contra o delegado que atendia anteriormente, mas hoje é uma conversa de mulher pra mulher”, avalia.
Em 2011, por exemplo, foram registrados 140 inquéritos por agressão. No ano passado, este número chegou a 311 casos, sendo 3 homicídios e duas tentativas de assassinato. Nos dois primeiros meses de 2013 a polícia já abriu 45 procedimentos de investigação.
Os homicídios femininos ou feminicídios acontecem geralmente na esfera domésticas. Segundo a pesquisa do Cebela, 68,8% das mulheres que sofrem violência doméstica no Brasil sofrem as agressões em suas residências, e 42,5% dos casos é realizado por parceiros ou ex-parceiros.
Tipos de Violência
Os maiores índices de violência contra a mulher são de violência física, segundo Joelda Pais. “Pelas estatísticas, os índices mais altos são de agressão física, mas quando acontece esse tipo de agressão significa que os outros tipos de violência estão acontecendo há algum tempo”  comentou a diretora da SEPMulheres.
A violência doméstica que constitui crime pode ser classificada em cinco tipos, sendo elas violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência física é a mais conhecida, sendo aquela em que há agressão a integridade ou saúde ao corpo mulher.
Também existe a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, limitando as possibilidades da mulher crescer como pessoa, tentando degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões. “Por exemplo, não deixa a mulher estudar ou não deixa ir no posto de saúde fazer algum tipo de atendimento, tem casos que não deixa a mulher nem ir à igreja” explicou Joelda.
Violência sexual é  aquela conduta que obriga a pessoa a presenciar,  manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. “É quando a pessoa força uma relação sexual quando a mulher não quer, às vezes isso acontece dentro do próprio matrimônio e a mulher não sabe que isso é violência sexual. O estupro vai além da Lei Maria da Penha, chega ao código penal”, comenta a diretora da SEPMulheres.
Também é considerada violência sexual induzir alguém a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição.
É entendido como violência patrimonial qualquer comportamento que configure retenção, destruição parcial ou total de objetos “É quando o homem destroi objetos da mulher, documentos, objetos de trabalho, as vezes ate a própria casa”, afirma Joelda.
O último tipo é a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. “É quando faz insinuações das atitudes morais dela, dizendo que ela vai para escola só para trair ou que ela não é confiável”, falou a diretora de direitos humano da SEPMulheres.
Veriana Ribeiro
Do G1 Acre
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Projeto Mulheres Inspiradoras será expandido para 15 escolas do DF.

Com apoio do governo e de organismos internacionais, iniciativa premiada de professora de Ceilândia atenderá 1.550 estudantes.

O Projeto Mulheres Inspiradoras será ampliado a 15 escolas do Distrito Federal este ano. O acordo de cooperação que permitirá a expansão foi assinado na tarde desta segunda-feira (6/2), no Salão Nobre do Palácio do Buriti. Assinaram o documento o Governo do Distrito Federal, o Banco de Desenvolvimento da Amáerica Latina (CAF) e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A iniciativa, que teve início em Ceilândia, tem como objetivo o empoderamento feminino e o combate ao machismo.

Nessa parceria, o CAF ficará responsável por financiar os livros; o GDF formará os professores selecionados; e a OEI será a gestora dos recursos. Com o acordo de cooperação, sete regiões administrativas: Santa Maria, Taguatinga, Ceilândia, Estrutural, Samambaia, Plano Piloto e Planaltina. A expectativa é de que cerca de 1.550 estudantes sejam beneficiados.

O evento contou com a presença do governador do DF, Rodrigo Rollemberg, do secretário de Educação do DF, Júlio Gregório Filho, do diretor da OEI, Paulo Speller, do representante executivo do CAF, Vitor Rico, e da criadora do projeto, a professora da rede pública de ensino Gina Vieira Ponte de Albuquerque.

“Hoje em dia, sofremos muito com a violência de gênero, e esse projeto, que permite pesquisar e tomar conhecimento sobre a vida de mulheres que se tornaram inspiradoras, certamente ajudará a construir uma sociedade mais respeitosa e que valorize o talento das mulheres”, afirmou Rollemberg. O edital do projeto deve sair até fim do mês e a seleção de professores ocorrerá, provavelmente, em março. “Meu desejo é que outros estudantes sejam alcançados, pois vi que o meu projeto provocou uma reflexão sobre a importância da mulher na sociedade e sobre como o machismo é danoso”, relatou Gina.

A partir da publicação do edital, as escolas que tiverem interesse precisarão ficar atentas às datas de inscrições. Cada escola poderá inscrever dois professores, um de português e outro de qualquer disciplina. O projeto abrangerá turmas do 9º ano do ensino fundamental ao ensino médio. A inscrição deve ser feita com a anuência do diretor. O material de análise será o currículo dos professores, os certificados na área de formação nos Eixos Transversais do Currículo e entrevista com os docentes.

 

O projeto

O Projeto Mulheres Inspiradoras surgiu em 2015, com a iniciativa da professora do Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia, Gina Vieira Ponte, 45 anos.  Por meio do contato com os alunos em sala de aula e nas redes sociais, ela percebeu que muitas das alunas reproduziam padrões construídos pela mídia e que faltavam referências de mulheres inspiradoras a essas adolescentes. 

Gina começou, então, a trabalhar nas aulas livros de diversos gêneros literários com exemplos de mulheres fortes, de diferentes classes sociais, cor de pele, nível de escolarização e idades. Algumas das obras selecionadas foram O Diário de Anne Frank, relato da adolescente alemã de origem judia perseguida pelo regime nazista; Eu sou Malala, escrito pela jovem ativista paquistanesa que defende o direito a educação; e Quarto de despejo: diário de uma favelada, da brasileira Carolina Maria de Jesus.

Após a leitura, os alunos precisavam fazer dissertações sobre uma mulher inspiradora para eles. A professora conta que, com o término do projeto, houve uma mudança drástica na forma de pensar dos alunos. “As meninas perceberam que existem outras referências femininas e que não estão obrigadas a reproduzir o padrão imposto pela mídia. Elas viram que tinham mais a oferecer do que ser um símbolo sexual” comemora. Os meninos também mudaram o pensamento sobre as mulheres: “Um aluno meu contou que acreditava que a mulher era inferior, mas, depois do projeto, percebeu que isso não fazia sentido”.

“É muito emocionante ver o poder transformador desse projeto, afinal, ele foi feito para isso: para criar cidadãos melhores e contribuir para uma cultura sem machismo e de não-violência contra a mulher”, finaliza Gina.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Reforma da Previdência prejudica mais as mulheres e beneficia os bancos

A proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo Temer ao Congresso Nacional conhecida como PEC 287 tem consequências muito mais profundas e dramáticas do que o trabalhador pode imaginar.

Trata-se de uma verdadeira transformação na forma como a sociedade brasileira decide se organizar a partir da Constituição Cidadã de 1988. Em resumo, pretende-se acabar com uma organização social em que todos, e com o amparo do Estado, se responsabilizam por garantias mínimas de vida, inclusive e principalmente em momentos mais delicados, como na velhice.
O termo “reforma” nem se quer é adequado para a proposta do governo Temer. O que se pretende é o fim da previdência pública, quase a sua destruição, na medida em que estão propostos pré-requisitos tão rígidos e descolados da realidade brasileira que, se aprovada a proposta, a aposentadoria no Brasil passaria a ser uma ilusão, um alvo inatingível para a grande maioria da população.
As instituições financeiras serão beneficiadas. Apenas o anúncio da proposta de reforma da previdência já gerou resultados expressivos para os bancos, na medida em que já embutiu nas pessoas o temor do esvaziamento da previdência pública e aumentou a tendência de compra de planos de previdência privada como alternativa.  
Em 2016 o resultado do Bradesco com seguros e previdência chegou a R$ 33 bilhões, com alta de 103%. No Itaú o resultado desta área cresceu 40% e atingiu a cifra de R$ 18,6 bilhões. Eles esperam que ela gere alguns bilhões de reais a mais nos cofres destas instituições.
Essa reforma trará sérios prejuízos a toda a sociedade brasileira:
1) Torna quase impossível aposentadoria integral – A proposta é de extinção total da aposentadoria por tempo de contribuição. Existiria apenas aposentadoria por idade e a exigência de idade mínima passaria a ser de 65 anos para todas as pessoas, homens e mulheres, trabalhadores urbanos e rurais, além da necessidade de ter realizado no mínimo 25 anos de contribuição, ou seja, um total de 300 contribuições.
O mercado de trabalho no Brasil é caracterizado por elevada rotatividade e informalidade e, nesse contexto, conseguir realizar número tão elevado de contribuições é para poucos. E mesmo quem conseguir cumprir esses dois requisitos (65 anos e 25 anos de contribuição) irá receber apenas 76% do seu salário de benefício, percentual muito inferior às regras atuais.
Para obter o benefício integral será exigido o mínimo de 49 anos de contribuição! E com as características que já citamos do mercado de trabalho brasileiro as pessoas conseguem fazer em média 9,1 contribuições a cada 12 meses, tornando necessário esperar 64,6 anos depois de iniciar a vida no trabalho para completar o correspondente a 49 anos de contribuições. Isso significa que alguém que tenha começado trabalhar aos 16 anos de idade só conseguirá ter aposentadoria integral perto dos 81 anos.
2) Aumenta a exclusão feminina e os casos de violência contra a mulher – Para as mulheres a proposta é ainda pior. Sob o falso argumento de que a estaria acabando com “distorções” ao propor a mesma idade de aposentadoria para homens e mulheres o que se propõe na verdade é acabar com mecanismo que visa compensar minimamente as mulheres pelas inúmeras injustiças que sofrem ao longo de sua vida profissional.
A regra diferenciada de idade reconhece o preconceito de gênero que ocorre no trabalho, a baixa participação dos homens nas atividades domésticas, a dupla e/ou tripla jornada das mulheres, e busca recompensá-las pelo sobrecarga de trabalho. Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens.
Essa realidade é ainda mais injusta quando se observa que as mulheres bancárias têm escolaridade maior que a dos bancários. 80% das bancárias têm nível superior completo, enquanto entre os homens esse percentual cai para 74%. Tal desigualdade é fruto de uma sociedade machista e sem cultura de relações compartilhadas e faz com que as contribuições das mulheres à previdência social sejam mais instáveis e consequentemente a maioria das mulheres hoje se aposenta por idade em função da dificuldade de acumular tempo de contribuição.
Além disso, as mulheres têm taxa de desemprego mais elevada e salários inferiores. Com a PEC 287, a previdência ao invés de compensar vai apenas reforçar a extrema desigualdade do mercado de trabalho, provocando o aumento da miséria feminina, aumentando a dependência financeira das mesmas e, consequentemente, a violência contra as mulheres.
3) Aumento da miséria na população – A PEC 287 ainda propõe reduzir o valor das pensões por morte e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para patamares inferiores ao Salário Mínimo. Uma viúva ou um viúvo pode chegar a receber apenas 60% do salário mínimo.
No caso das pensões do Regime Geral da Previdência Social sabemos que hoje 55% correspondem ao salário mínimo. Hoje, o BPC garante a transferência de um salário mínimo à pessoa idosa, com 65 anos ou mais, e à pessoa com deficiência de qualquer idade, em situação de pobreza (renda mensal familiar per capita é inferior a ¼ do salário mínimo).
A PEC 287 desvincula o BPC do Salário Mínimo e aumenta a idade mínima para o idoso receber dos atuais 65 para 70 anos.  Atualmente, 86% dos idosos têm proteção na velhice e apenas 10% estão em condição de pobreza.
4) Aumenta a evasão escolar, fome e criminalidade – Sem a Previdência pública, mais de 70% dos idosos estariam na pobreza extrema. Além disso, muitas famílias têm na aposentadoria a sua principal fonte de renda e a destruição desse mecanismo terá consequências devastadoras como a evasão escolar, pois os jovens terão que trabalhar mais cedo para complementar a renda familiar, o aumento da fome, da desnutrição, e mesmo da criminalidade. 
5) Promove a falta de alimentos na mesa, com o desmonte no campo – A aposentadoria rural será drasticamente reduzida, dificultando a permanência no campo, aumentando o êxodo rural e todos os problemas urbanos que o acompanham como a falta de moradia digna para todos. Com menos pessoas trabalhando no campo, a produção de alimentos será reduzida.
6) Promove impacto na economia – Do ponto de vista da dinâmica econômica haverá consequências graves também. Os benefícios previdenciários representam ao menos 25% do PIB municipal em pelo menos 500 municípios brasileiros. Esse percentual chega a 60% do PIB em diversas cidades nos estados da Bahia, Minas Gerais e Piauí. O impacto que as aposentadorias geram na economia de tais regiões movimentando os pequenos comércios, por exemplo, será minado pela PEC 287, gerando uma espiral de queda da atividade, do emprego, da renda, gerando ainda mais pobreza.
Diante desse cenário, precisamos fazer uma reflexão dos motivos que levam um governo a propor a quase destruição de um sistema de seguridade social tão importante para dezenas de milhões de pessoas e quem ganha com essa proposta. É bom lembrar que em 2012 quando o então governo Dilma tentou reduzir as taxas de juros no Brasil para incentivar o crédito, representantes de bancos disseram que o crédito tinha pouco espaço para crescer e que os resultados destas instituições financeiras passariam a ser cada vez mais apoiados nas áreas de seguros e previdência privada.
Este sim um “mercado” altamente promissor na visão dos banqueiros. Para que os bancos possam ocupar esse “mercado” e ampliar a venda de previdência privada é preciso destruir a previdência pública, reduzir drasticamente seu valor, tornar as regras de acesso praticamente impossíveis de serem atingidas e fazer as pessoas desacreditarem do sistema. Só assim, totalmente desamparadas elas se sentirão encorajadas a consumir planos de previdência privada.
Em um país em que quase 60% da população economicamente ativa tem renda de ate dois salários mínimos e mais 11% não tem rendimento, quantas pessoas terão condições de poupar recursos para investir em planos de previdência privada? Quantas estarão sem nenhuma proteção na velhice?
Essas perguntas não cabem dentro do modelo de sociedade do salve-se quem puder. A solidariedade é um valor que nos guia e a hora de nos mobilizarmos contra a proposta de destruição da previdência pública é agora, ou então em breve veremos mais alguns bilhões de reais entrando nos cofres dos bancos a custa de muitos milhões de pessoas em situação de pobreza no país.
Juvândia Moreira é formada em direito e pós-graduada em política e relações internacionais. Está à frente da presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região desde 2010.

segunda-feira, 20 de março de 2017

SEJA A MULHER DA SUA VIDA


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Seja inconsequente e pague por isso. Fique bêbada e pague a conta. Abra a porta do carro, banque uma rodada de choppe e, quando o dia não for de festa, simplesmente diga não. Diga não sem culpa, mas não sem educação. Seja breve na fala e detalhista no pensamento. Aperte firme a mão das pessoas. Sorria. Seja a frente de batalha da sua vida, sem colete à prova de balas. A vida, minha amiga, não é à prova de imprevistos.
E seja agora! Mas, não, não seja para os outros… nem por eles. Seja sua e por você. Vá na frente, dê o primeiro passo, mude de vida sem pedir a opinião dos outros, sem pedir a permissão do mundo. Descubra-se. Entenda-se. Faça terapia e, quando não der, faça compras. Seja inconsequente e pague por isso. Fique bêbada e pague a conta. Abra a porta do carro, banque uma rodada de choppe e, quando o dia não for de festa, simplesmente diga não. Diga não sem culpa, mas não sem educação. Seja breve na fala e detalhista no pensamento. Aperte firme a mão das pessoas. Sorria. Seja a frente de batalha da sua vida, sem colete à prova de balas. A vida, minha amiga, não é à prova de imprevistos. Não tenha filhos e, se tiver, permita-se ser a mãe que a natureza te formou para ser. Escolha. Viaje. Decida. E, quando ficar em dúvida, simplesmente admita. Venda seu carro, compre uma Komb. Ou, então, financie seu carro zero. Mude. De quarto, de casa, de roupa, de sonhos. Solte as mãos, abra os braços, corte o cordão que te prende ao passado. Não espere, vá. Leia, escreva, escute. Pare de assistir a novelas. Discuta, dispute, desculpe. Seja íntima de si mesma.
Seja a mulher da sua vida. Seja só sua. E não o faça de fachada, não tente impressionar. Impressione-se com a vida. Observe uma borboleta, alimente um gato, acaricie um cachorro. Permita-se ser sensível. Chore. Ser a mulher da sua vida não é ser mais homem, ser a mulher da sua vida é olhar-se no espelho e sentir orgulho do seu próprio sorriso. É respeitar suas próprias decisões em detrimento da opinião dos outros, mesmo que esses outros sejam a sua família. Ser a mulher da sua vida não é ser durona. Faça ioga ou boxe, mas faça o que você gosta. Descubra-se de novo. Perceba o que mudou. Você muda, o mundo muda; mas você muda, não muda nada. Corte os cabelos, nasça de novo. Ajude desconhecidos e aproveite milimetricamente o doce sabor de fazer a diferença na vida de alguém. Mas, antes disso, faça a diferença na sua vida!
Dirija o carro, pague o almoço, ponha o pau na mesa. Sim, você tem um pau bem grande chamado “amor próprio” e ele não está no meio das suas pernas, não. Ame-se. Ame-se muito. Ame-se acima de tudo. E depois de se amar tanto, ame-se mais um pouco. Ame-se sem maquiagem e sem estar em forma, porque do que adianta os elogios de outra pessoa se você mesma não enxerga sua beleza? Enxergue-se. Vista-se de coragem. Convença-se do quão foda você é e, se você não conseguir ser sua própria advogada, é porque ainda não entendeu o que é, verdadeira e intensamente, ser a mulher da sua vida.
Honre-se. Você não nasceu mulher à toa. Você não lutou até agora para se esconder atrás de seus próprios preconceitos. Seja a mulher da sua vida, mas não o seja pra conquistar macho ou apaixonar fêmea. Seja e pronto. E ponto.
E conto… te conto este segredo, que ao compreender este texto você encontrou o seu só seu (re)começo.
 Fonte: Escrito por LETICIA FLORES MONTALVÃO via Obvious Mag.

Sempre Vida

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Goiás é o segundo Estado com mais homicídios de mulheres


Mulheres pretas e pardas são as que mais sofrem com a violência

Goiás é o segundo Estado brasileiro que mais teve homicídios de mulheres em 2014. O dado foi divulgado nesta semana no Panorama da Violência Contra as Mulheres no Brasil, publicado pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal. De acordo com a pesquisa, Goiás registrou taxa de 8,4 homicídios por 100 mil mulheres, o número é superior à média nacional, de 4,6 homicídios por 100 mil mulheres. Goiás fica atrás apenas de Roraima, que teve taxa de 9,5 para cada 100 mil mulheres.
O levantamento aponta ainda que a violência letal registrada no ano foi maior contra mulheres pretas e pardas, uma vez que a taxa de homicídios relativa a essas mulheres se mostrou quase duas vezes superior àquela relativa a homicídios de mulheres brancas. Este dado se repete na maior parte dos estados brasileiros.
Os números mostram também que entre 2006 e 2014 o registro deste tipo de violência tem aumentado. Enquanto a taxa de homicídios de mulheres brancas residentes no Estado aumentou em 53%, passando de 3,6 a 5,5, a taxa de homicídios de mulheres pretas e pardas aumentou em 96%, passando de 5,3 a 10,4 homicídios por 100 mil mulheres.
Em relação aos registros de estupro, Goiás apresentou um número de ocorrências para cada grupo de 100 mil mulheres mais de duas vezes inferior à taxa de estupros registrada no País. Este dado foi citado na pesquisa do Observatório, mas foram publicados inicialmente no 10° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Análise
Para a professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Bartira Macedo de Miranda, os dados mostram que Goiás é um Estado de população machista e com cultura autoritária que perdura mesmo em meio ao aumento do debate em relação à violência contra a mulher. “Faltam políticas públicas direcionadas principalmente às mulheres mais pobres. No caso dos estupros, sabemos que os dados ainda estão longe da realidade porque a maior parte das vítimas não fazem denúncia”, lamenta a especialista.
Bartira afirma ainda que o problema de todos os tipos de violência contra a mulher está no fato de o Estado tratar a segurança pública com a ideia de combate e guerra e não em um paradigma de proteção dos direitos. A falta de divulgação periódica dos dados, afirma a professora, também é um empecilho, pois impede o conhecimento da população sobre o assunto e também barra a pesquisa de especialistas em segurança.
A pesquisa aponta esta falta de informação por parte da Polícia Civil de Goiás. Já a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a pedido do Observatório, informou que, no ano de 2014, foram registradas 20.092 ocorrências relacionadas à violência contra mulheres, perfazendo uma taxa de 605,3 ocorrências para cada 100 mil mulheres residentes no estado.
Expectativa
A delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Formosa, Fernanda Lima, lembra que os números da pesquisa não separam os casos de feminicídio e de homicídio. “É importante lembrar que alguns assassinatos acontecem durante assaltos ou em decorrência de outra criminalidade urbana. Mas no que diz respeito a registrar o número de homicídio de mulheres, a pesquisa cumpre seu papel e os números são realmente altos”, avalia a delegada.
Ainda de acordo com Fernanda, em relação à violência doméstica, o número realmente tem crescido devido a criação de mecanismos que levam cada vez mais mulheres a denunciarem os casos. “Existem estados que o número de estupros, praticado por familiares ou desconhecidos, é menor. Isso acontece porque as mulheres não têm a mesma possibilidade de procurar uma delegacia, como existe aqui”, explica Fernanda. A delegada afirma também que, a longo prazo, os indicadores começarão a diminuir pois os resultados das denúncias e das políticas públicas vão começar a aparecer. “A estatística nua e crua não representa a realidade”, conclui.
Por Karla Araujo, do Mais Goiais 
 http:www.geledes.org.br